A reforma tributária já começou a mudar a forma como empresas e profissionais serão tributados no Brasil. Entre as principais novidades estão o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), novos tributos que substituirão diversos impostos atuais.

Mas a pergunta que mais recebemos no escritório é:
afinal, quem será contribuinte desses novos tributos?

A resposta pode surpreender muitos empresários e, principalmente, profissionais autônomos.

Neste artigo, explicamos de forma clara quem estará sujeito ao IBS e à CBS e o que muda na prática a partir de agora.

O que são IBS e CBS (explicação rápida)

A reforma tributária criou um novo modelo de tributação sobre o consumo, semelhante ao IVA adotado em diversos países.

Serão dois tributos principais:

CBS (federal)
Substituirá:

  • PIS
  • Cofins
  • parte do IPI

IBS (estadual e municipal)
Substituirá:

  • ICMS
  • ISS

Na prática, quase todas as operações com bens e serviços passarão a ser tributadas por esse novo modelo.

Quem são os contribuintes do IBS e CBS

A regra geral da reforma é simples:

Toda pessoa física ou jurídica que exerça atividade econômica com habitualidade será contribuinte do IBS e da CBS.

Isso significa que os contribuintes incluem:

Empresas em geral

  • comércio
  • indústria
  • prestadores de serviços
  • empresas digitais
  • importadores
  • holdings patrimoniais com atividade econômica

Independentemente do regime:

  • Simples Nacional
  • Lucro Presumido
  • Lucro Real

Todos estarão dentro do novo sistema (ainda que com regras específicas).

Atenção: profissionais autônomos também são contribuintes

Esse é um dos pontos mais importantes e menos comentados.

A reforma tributária deixa claro que profissionais autônomos e liberais que prestam serviços de forma habitual também são contribuintes.

Exemplos:

  • psicólogos
  • médicos
  • dentistas
  • advogados
  • arquitetos
  • consultores
  • prestadores de serviços em geral

Mesmo atuando como pessoa física, ao exercer atividade econômica de forma contínua, passam a integrar o sistema de tributação sobre consumo.

2026: prefeituras já estão exigindo NFSe de autônomos

Antes mesmo da entrada total do IBS e CBS, muitas prefeituras já estão se adaptando.

Em 2026, diversos municípios passaram a exigir que profissionais autônomos:

  • realizem cadastro municipal
  • emitam Nota Fiscal de Serviço eletrônica (NFSe)
  • recolham ISS sobre os serviços prestados

Ou seja:
o profissional autônomo já está sendo tratado como contribuinte formal de tributos sobre consumo, antecipando o modelo da reforma.

Essa exigência tende a se intensificar com a implantação definitiva do IBS.

E o Simples Nacional?

Empresas do Simples continuam no regime, mas com mudanças importantes:

  • IBS e CBS podem impactar o preço dos serviços
  • empresas clientes podem exigir destaque de tributos
  • o crédito de impostos nas compras será diferente
  • planejamento tributário será essencial

Ou seja:
estar no Simples não significa ficar fora da reforma.

Impactos práticos para empresários e autônomos

A entrada do IBS e CBS traz mudanças relevantes:

Maior formalização

Profissionais autônomos e prestadores informais terão maior controle fiscal.

Mudança na formação de preços

Os tributos passam a ser mais transparentes e destacados.

Necessidade de planejamento tributário

Escolher regime, modelo de atuação e estrutura jurídica fará diferença no valor dos impostos.

Fiscalização mais tecnológica

Integração entre União, estados e municípios aumentará o cruzamento de dados.

O que fazer agora

Mesmo com a implantação gradual até 2033, a adaptação começa agora.

Empresas e profissionais devem:

  • revisar sua forma de atuação
  • verificar se a formalização está correta
  • analisar se vale atuar como pessoa física ou jurídica
  • entender o impacto da reforma no preço e no lucro

Quem se antecipa paga menos imposto e evita problemas.

Conclusão

A reforma tributária ampliou o conceito de contribuinte.
Não apenas empresas, mas também profissionais autônomos e liberais passam a integrar de forma mais direta o sistema de tributação sobre consumo.

Além disso, em 2026 muitas prefeituras já estão exigindo a emissão de NFSe desses profissionais, antecipando a lógica do novo modelo.

Entender essas mudanças é fundamental para evitar aumento de carga tributária e manter a regularidade fiscal.

A Nobile Assessoria Contábil acompanha de perto a reforma tributária e orienta empresas e profissionais sobre como se adaptar ao novo sistema, com segurança e planejamento.